Manaus é a principal porta de entrada para o turismo de selva e para passeios de imersão na floresta Amazônica. Os serviços ofertados por agências de turismo atendem aos mais diversos públicos e bolsos. Excursões para conhecer as tribos indígenas, interação com os botos, visita ao encontro das águas e trilha na floresta são algumas das opções disponíveis.

Para quem busca a vivência na floresta é possível encontrar passeios que levam um dia (manhã e tarde) e que variam de R$100 a R$150 e outros ainda mais completos, entre quatro e cinco dias, que oscilam de R$1.000 a R$1.500. A maioria disponibilizada para experiências em grupos.

Mas se você procura uma experiência de baixo custo, mais pessoal e que seja próxima da cidade – mas bem no coração da floresta -, então você precisa conhecer o Refúgio Samaúma. Idealizado pelo casal Ana Ligia e Lucas, o espaço está localizado na área rural de Manaus, na Comunidade do Livramento, uma das seis comunidades dentro da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Tupé.

Há seis meses eles abriram as portas de um charmoso chalé para proporcionar aos visitantes um momento de desintoxicação urbana e de reconexão com floresta. “Um turismo orgânico e sensorial”, como descrevem os anfitriões.

Chalé Samaúma

A esquerda o Chalé Samaúma e a direita a casa do casal Ana Ligia e Lucas

Como chegar

O espaço ofertado por eles fica a pouco menos de 20 minutos de Manaus. Mas não se engane! Apesar do pouco tempo de deslocamento o lugar fica imerso na floresta e você realmente consegue se desconectar da correria da cidade.

O acesso é feito exclusivamente por meio fluvial, através do rio Negro. O Refúgio Samaúma fica bem em frente ao porto da Comunidade do Livramento. Para chegar ao porto da comunidade você deve pegar uma das lanchas da ACAMDAF (Associação dos Canoeiros da Marina do David e Fátima) no rio Tarumã-Açu, que transporta diariamente passageiros para as comunidades da RDS do Tupé e de seu entorno. A Marina do Davi, como é chamado o local de onde saem as lanchas, fica localizada na Estrada da Ponta Negra, bairro Ponta Negra, zona Oeste.

As lanchas saem a cada uma hora ou a depender da lotação (aos finais de semana as saídas são mais rápidas, pois o fluxo de passageiros é maior). O valor cobrado é de R$8 por pessoa. Investimento total com a ida e a volta: R$16. 

Você pode ficar no porto da comunidade que o Lucas te busca na canoa ou você pode pedir para o comandante da lancha te deixar na outra margem do rio. Mas eu te digo que ser levado para o refúgio de canoa já é a primeira experiência de desintoxicação que o local te proporciona. Então faz como a gente e o doguinho da imagem abaixo. Senta relaxado e espera o Lucas ir te buscar.

Como funciona

A proposta da Ligia e do Lucas é fazer você se desintoxicar da vida urbana e te envolver com a floresta. Logo na chegada eles já fazem uma apresentação do local e explicam como funciona o espaço. Você pode tomar banho de rio, passear no entorno do chalé na mata, pode usar a canoa deles para dar uma volta no rio ou pescar, pode só ficar deitado de boas na rede ou na cama sem fazer nada, só descansando mesmo. Mas você também tem a opção de fazer algumas atividades que eles oferecem.

O Chalé tem dois cômodos: cozinha e quarto. Tem também uma a área externa onde fica a mesa para as refeições e também uma rede maravilhosa para dar aquela esticada nas costas! Na parte de trás fica o banheiro ecológico – mais a frente eu explico um pouco sobre ele – e também o banheiro onde tomamos banho. São locais separados, mas bem próximos.

A reserva do Chalé é feita pelo Airbnb e o valor da diária varia de R$80 a R$150 e está incluso o café da manhã. Delicioso e super regional. Esse é outro ponto alto do serviço. Ana Ligia e Lucas dão prioridade a comida da terra. Na cotação do dia 21.05.2019 a diária custava R$80 + R$10 da taxa de serviço. Mas é possível que esse valor oscile a depender do período e da quantidade de dias. Os horários para check-in e check-out são flexíveis. Nós, por exemplo, entramos às 15h do sábado e saímos às 18h do domingo. É só conversar com a Ana Ligia e combinar direitinho os horários.

A estrutura do Chalé é excelente! Tem mosquiteiro e telas de proteção, então não precisa ficar preocupado com os mosquitos (comuns na floresta). Mas se você for sensível as picadas de carapanãs e outros mosquitos a dica é levar repelente! No quarto tem, ainda, um ventilador super potente. Mas eu confesso que não sentimos calor e só usamos o ventilador depois que amanheceu.

O que fizemos

No sábado, por exemplo, optamos por descansar e curtir o espaço. Levamos bebidas e comidinhas para beliscar durante a tarde. À noite preparamos uma massa. A cozinha da casa é equipada com utensílios. Coisas básicas como panelas, copos, pratos e talheres. Se você quiser preparar sua própria comida recomendamos atenção ao tipo de refeição que pretende fazer. Como citado acima são utensílios básicos e você consegue preparar coisas simples. Levamos isopor com gelo para conservar as bebidas porque o chalé está temporariamente sem geladeira. Mas eles deixam você guardar bebidas e comidas na geladeira deles que fica na casa ao lado. Não tivemos nenhum problema com isso. Eles foram sempre super atenciosos.

Se você não for da vibe faça sua própria comida não tem problema! A Ana Ligia e o Lucas também oferecem refeições. Nós optamos por comprar o almoço de domingo com eles e eu posso dizer que foi a melhor opção. Eles priorizam a comida regional e não trabalham com carne e nem frango, apenas peixe. Mas o peixe é fresquinho e delicioso. Tivemos uma refeição saudável e super deliciosa!

No domingo aproveitamos para conhecer a comunidade e seus atrativos. Tomamos café lá pelas 9h. Mais um momento para falar das refeições. Que café da manhã maravilhoso! Queria muito ter acordado mais cedo, mas quem consegue sair da cama depois de uma noite ouvindo o som maravilhoso da floresta e ainda com chuva?! A pedida foi curtir um pouco mais aquela cama quentinha antes de explorar a comunidade.

Lá pelas 10h saímos de voadeira. O Lucas nos levou para uma área onde a comunidade costuma se reunir para aproveitar o rio. O espaço tem redes de proteção que delimitam a área de banho (uma medida necessária já que, a depender da época, tem piranhas no rio).

Uma das áreas que podemos tomar banho de rio. Na casa ao fundo você pode comprar bebidas e também refeições

 

Depois de algumas horas de banho de rio seguimos viagem de canoa e fomos conhecer outros espaços, entre eles, o Flutuante da Onça, de propriedade da Dona Olga (mãe da Ana Ligia). Olga mora nesse flutuante há 13 anos. Uma mulher forte e extremamente inteligente. Dá gosto de conversar com ela e perceber o seu amor pela Amazônia! Também conhecemos a Oka Gabriel Gentil, um espaço criado pela Olga, onde diversas atividades são realizadas. Uma delas é a Feira do Troca que acontece na última sexta-feira do mês. Um momento para a comunidade levar o que tem e realizar a troca de produtos entre si.

Turismo Comunitário e Ecológico

É importante que você entenda que o turismo na RDS do Tupé é o Turismo Comunitário, aquele  desenvolvido pelos próprios moradores. A ideia é gerar renda para os ribeirinhos e fortalecer a comunidade.

Por se tratar de uma unidade de conservação as atividades econômicas desenvolvidas devem seguir uma série de critérios para que causem o menor impacto possível à área protegida. Por isso, existe todo um cuidado e respeito a natureza.

Aproveitando o tema é aqui que trago um pouco mais sobre o banheiro ecológico. No Refúgio Samaúma o banheiro tem dois assentos: um para o xixi e o outro para o cocô (sólidos).  No recipiente sólido não tem um botão que você aperta e as fezes somem. Nesse sistema você joga serragem dentro do recipiente para eliminar o odor e cobrir os resíduos. O papel também vai para esse recipiente. Posteriormente todos os rejeitos serão misturados à terra e transformados em adubo para as plantas. A mãe natureza agradece!

Saiba mais!

Samaúma – A Samaúma, segundo os índios, abriga um dos espíritos mais fortes da natureza. Elas são as árvores maiores e mais antigas da floresta. São consideradas árvores-mães. Chegam a alcançar até 65 metros. Sua copa grandiosa abriga um pequeno ecossistema.

Origem do Nome – O termo que dá nome a RDS Tupé é de origem indígena. Tupé, do Tupi, significa entrançado, tecidos trançados com talas da planta arumã, usado para fabricar objetos de arte, tapetes, esteiras, toldos de barcos, dentre outras utilidades.

Comunidades – Dentro da RDS Tupé estão reconhecidas hoje seis comunidades. São elas: São João do Lago do Tupé, Colônia Central, Nossa Senhora do Livramento, Julião, Agrovila Amazonino Mendes e Tatu (também chamada de Tatulândia). A população atual (dados de 2017) é de cerca de 5.000 pessoas, de acordo com a Semmas.